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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

FUI DIAGNOSTICADO COM DIABETES TIPO 2 , E AGORA?




Você acabou de ser diagnosticado com diabetes tipo 2 e, se estamos sendo honestos, provavelmente você está nervoso com as mudanças no estilo de vida que você terá que fazer e não sabe por onde começar. A boa notícia é começar a sua nova vida com diabetes tipo 2 é simples. Com apenas alguns passos, você começará a redefinir a normalidade e viver uma vida plena com diabetes.

Definir metas realistas

Você e seu médico estão trabalhando em prol de um objetivo para garantir que você não dependa de medicação para o resto da vida. Uma parte essencial do início do tratamento do diabetes tipo 2 é entender o que significam os números e estabelecer metas realistas para reduzir os números diários de açúcar no sangue e A1C . Entender o diabetes tipo 2 afeta a todos de forma diferente, então pergunte ao seu médico quais números são ideais para você.
Isso inclui perguntar ao seu médico ou a outro membro de sua equipe de tratamento do diabetes qual deve ser o número ideal de açúcar no sangue antes da primeira refeição do dia, duas horas após a primeira refeição, cujas variações são muito altas ou baixas e ao longo do dia. 

Construa sua equipe de suporte

Quando se trata de construir sua equipe de tratamento do diabetes, lembre-se sempre de que você é a pessoa mais importante . Embora os especialistas certamente ofereçam o conhecimento, só você entende perfeitamente como o diabetes afeta seu corpo. Procure recomendações para endocrinologistas, nutricionistas, educadores de diabetes e grupos de apoio de colegas de fontes confiáveis. Ao escolher os membros de sua equipe de atendimento, certifique-se de que eles respeitem seus valores, incluindo os culturais, e forneçam uma abordagem holística ao seu plano de tratamento e abordem os danos mentais e emocionais do autogerenciamento do diabetes.
Igualmente vital para sua equipe de suporte são as pessoas que mais se importam com você. Se isso é composto por familiares, amigos, colegas ou vizinhos, identifique os entes queridos que você pode confiar em suas lutas, medos e sucessos com o controle do diabetes. Aqueles neste círculo devem ser não julgadores, mas apoiar e ajudar a encontrar soluções para seus problemas, mesmo que eles não estejam vivendo com diabetes. Pesquisas também mostram que as pessoas com diabetes que se juntam a grupos de apoio de pares são mais propensas a gerenciar bem o diabetes, menos propensas a sofrer complicações do diabetes e a ter uma melhor qualidade de vida . 

Encontre a dieta certa e o plano de exercícios para você

O conselho geral para aqueles que vivem com diabetes tipo 2 é comer uma dieta saudável e fazer exercícios regularmente. Mas o que isso significa para você? Em suma, o que você faz dele. Viver com diabetes não significa cortar bolo, hambúrgueres ou seus prazeres culposos favoritos. Significa ajustar em que quantidades e a frequência em que você as come. Se você é alguém que tem uma visão negativa de alimentos saudáveis, viver com diabetes pode mudar essa perspectiva para você. A alimentação saudável pode ser tão simples quanto recriar seus pratos favoritos com ingredientes mais saudáveis.
Por exemplo, se você gosta de pratos cremosos tipicamente ricos em gordura e carboidratos, como frango alfredo e macarrão, faça isso em casa, em vez de comprar o molho enlatado ou a refeição pré-embalada. Corte o creme pesado pela metade, use queijo parmesão e alho frescos, cozinhe o peito de frango em azeite extra-virgem e substitua o macarrão branco por macarrão integral ou quinoa. Você pode adicionar impulsionadores de sabor usando ervas italianas frescas ou secas, como manjericão, salsa e orégano e controlar a quantidade de sal que você adiciona. Aprender a cozinhar de forma saudável em casa traz benefícios à saúde, ajudando você a controlar sua ingestão de sódio, gordura e carboidratos, além de ser divertido!
Se você não é uma pessoa de academia, não se preocupe. Não há necessidade de comprar uma academia cara que você não vai usar. Na verdade, o exercício pode ser completamente grátis! Amarre seus sapatos e corra, ande e corra pelo bairro. Se você ainda não se exercita, defina uma meta para a quantidade de tempo que você deseja dedicar à atividade física por dia. Se isso é 5 minutos ao redor do bloco durante a primeira semana, maravilha! Continue com isso e desenvolva seu progresso. Na semana seguinte, você pode querer bater até 10 minutos e assim por diante.

fonte : beyondtype2.org

domingo, 24 de abril de 2011

A Importância do Autocontrole no Tratamento do Diabetes

O que é automonitorização glicêmica capilar (AMGC)?
 


A automonitorização glicêmica capilar é o popular “pontinha de dedo”. É chamada de capilar, pois aferirmos a açúcar através do sangue presente nas artérias capilares, que são pequenos vasos do nosso corpo. As oscilações da taxa de açúcar no sangue são consideradas um dos grandes responsáveis pelo aparecimento de complicações em longo prazo. Portanto, considera-se uma grande vantagem o fato de portadores de diabetes reconhecerem a necessidade da AMGC e os valores seguros de glicemia. A IDF e as principais Sociedades de Diabetes do mundo recomendam que sejam observados os limites da glicemia pós-prandial, glicemia de jejum e os níveis de Hba1c. Atualmente, somente procedimentos invasivos como a AMGC e o CGMS (monitoramento continuo de glicose) fornecem informações precisas do perfil dos níveis glicêmicos diários dos pacientes.

Porque é importante que eu faça a AMGC?

Vários estudos demostram queda da HBA1C (ou seja, o melhor controle do diabetes) quando o indivíduo utiliza a AMGC com frequência. No entanto a AMGC é só uma ferramenta eficaz no autocontrole quando os resultados são revisados pelo endocrinologista e/ou pelos diabéticos com o objetivo de modificar o seu comportamento ou ajustar o tratamento de forma eficiente. A manutenção de níveis da glicemia que previnam o desenvolvimento e o progresso das complicações crônicas referentes ao Diabetes envolve um equilíbrio entre a ingesta alimentar, a atividade física e a terapia com drogas. A participação ativa e efetiva dos portadores de diabetes no controle e no tratamento de sua doença é um componente essencial para um bom tratamento. Para tanto, é necessário que eles tenham um nível de conhecimento adequado e estejam capacitados para proceder com mudanças comportamentais, ajustes no tratamento e tomada de decisões, estabelecendo o autocontrole como parte integrante de sua rotina diária.

Quem deve realizar a AMGC?

Todos os portadores de diabetes devem realizar a AMGC. No entanto, a quantidade de vezes ao dia varia conforme o tipo de diabetes, e seu tratamento. Para pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) e Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) que estão em tratamento com bomba de insulina ou múltiplas doses diárias de insulina e contagem de carboidratos, a recomendação é realizar entre 4 a 8 aferições por dia. Realizamos diversas vezes a AMGC justamente para calcular a dose de insulina a ser aplicada naquela refeição e também para verificar se a dose foi efetiva ou excessiva.
Já os indivíduos com DM2 não tratados com insulina podem realizar diversos esquemas, não havendo consenso atualmente. Neste caso, esquema varia conforme o objetivo listado abaixo:
1. Intensificar a educação do diabetes
2. Auxiliar na compreensão da doença
3. Ferramenta para avaliação glicêmica para otimizar a terapia e consequentemente um desfecho positivo
4.Tenha sintomas de hipoglicemia
5. Tenha infecções, esteja viajando ou sob stress.
6. Esteja fazendo ajuste ajustes na medicação, na alimentação e/ou atividade física
7. Esteja vivenciando piora dos valores da HBA1c
8. Esteja em dúvida ou necessitando de informações adicionais sobre a natureza da sua doença, e/ou impacto de seu tratamento (farmacológico e não farmacológico) sobre o controle glicêmico.
9. Esteja em período gestacional ou planejando engravidar

E o que é a monitorização contínua de glicose (CGMS)?

O CGMS é um aparelho utilizado pelo endocrinologista para identificar as oscilações de açúcar em pessoas com diabetes. Ele utiliza um sensor que é colocado sob a pele, em contato com a gordura, e também com um monitor externo do tamanho de um pager que armazena os dados de leitura da glicemia que são coletados pelo sensor a cada 5 minutos. Os indivíduos utilizam o sensor em um período de 3 a 5 dias. Assim temos por volta de 288 medidas por dia de glicose, o que chega a ser 72 vezes a mais de informação por dia do que a AMGC. É um aparelho “cego”, ou seja, a analise será realizada após sua utilização, assim como um aparelho de Holter de pressão arterial.
O CGMS serve para:
  1. Avaliar as oscilações glicêmicas,
  2. Pesquisar hipoglicemia noturna ou assintomática,
  3. Necessidade de reajuste da dose de insulina sem aumento da hipoglicemia,
  4. Durante o período de preconcepção e período gestacional

Além do CGMS temos parelhos para aferir a glicemia em tempo real acoplado à bomba de insulina. Através de ondas de rádio, o sensor envia informações ao aparelho de bomba de insulina o qual mostra em seu visor a tendência glicêmica. Este dispositivo é interessante, pois podemos ver a tendência da glicemia e tomar uma atitude antes da alteração. Por exemplo, podemos ver uma tendência de hiperglicemia e ajustarmos a dose de insulina para evitar a mesma. O mesmo com a tendência de hipoglicemia. Se o dispositivo mostra uma tendência para queda da glicemia, podemos ingerir algum alimento, evitando-a. O sistema de bomba de insulina mais o sensor de glicose também é chamado de "pâncreas artificial". No entanto, este nome pode causar um pouco de confusão, pois a bomba de insulina não libera a quantidade de insulina necessária para aquela glicemia automaticamente. Há necesidade do portador ver a tendência e tomar uma atitude, seja programando a bomba para liberar mais insulina, seja comendo algo.

Há dispositivos de monitorização glicêmica em tempo real não acoplados à bomba de insulina. Da mesma forma são interessantes para os DM1 que não queiram utilizar a bomba mas se preocupam com a oscilação glicêmica ou para DM2 que queriam monitorizar
de forma mais segura sua glicemia.




Em resumo, a AMGC deve ser baseada em uma decisão compartilhada entre o portador de diabetes e endocrinologista e deve estar ligada a um conjunto de instruções claras com ações a serem tomadas baseadas nos resultados obtidos com a AMGC.
O uso apropriado da AMGC pelos portadores de diabetes não tratados com insulina tem potencial de aperfeiçoar o controle de diabete através de ajustes regulares no tratamento baseados no resultado na AMGC, melhorando tanto o desfecho clínico como a qualidade de vida. Entretanto, o valor e a utilidade da AMGC podem se desenvolver dentro de um modelo de tratamento preventivo que seja baseado em monitorização continua e capacidade de ajustar o controle com o progresso de a doença no passar do tempo.

Dra Bibiana Prada de Camargo Colenci
Mestre em Endocrinologia e Diabetes
CRM 93718