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sábado, 17 de dezembro de 2011

Pequenos gestos fazem diferença para o bem-estar dos pequenos com Diabetes Mellitus tipo1



Conforme diz Dalai-Lama no Livro da Sabedoria, “o sucesso da nossa vida e do nosso futuro depende da nossa motivação e determinação, ou confiança em nós mesmos. Através de experiências difíceis, a vida às vezes ganha maior significado. Uma pessoa que passou por experiência de privações consegue enfrentar problemas com mais firmeza do que quem nunca passou por sofrimento. Portanto, visto por esse ângulo, um pouco de sofrimento pode ser uma boa lição para a vida”.
Passar por experiências difíceis faz parte da vida de qualquer ser humano, muitas vezes geram estresse, insegurança, angústia e ansiedade. Uma dessas vivências é relatada por Marcella Fernandes, advogada e mãe da Gabriella de 4 anos, com diabetes tipo 1 desde os dois anos.
“Apesar de o irmão da Gabriella ter diabetes tipo 1, diagnosticado quando tinha nove anos, as chances de desenvolver eram de 5%, segundo os médicos. Assim mesmo, com a detecção rápida da condição, já que identificamos os sintomas, senti o meu chão cair e fomos direto para o hospital, onde minha filha ficou 10 dias internada. Lá, recebi uma enxurrada de informação e aprendi a aplicar insulina”, conta Marcella.
“No início era um verdadeiro pesadelo aplicar insulina, porque a Gabriella se debatia, chorava, gritava. Quem ouvisse da rua, pensava que estávamos batendo nela. Nesses casos, sempre pedia auxílio para mais uma pessoa para que eu pudesse aplicar. Com o tempo, aprendi a injetar a insulina e, este ano, minha filha começou a aceitar as aplicações sem se debater”, diz Marcella.
O diagnóstico de uma criança pequena com diabetes é mais difícil, pois o susto é maior. A criança não consegue se comunicar direito e os pais precisam aprender sobre diabetes e aplicação de insulina de forma bem rápida. Dra. Bibiana Prada de Camargo Colenci, endocrinologista do município de Botucatu, interior de São Paulo, relata algumas dicas aos pais:
  • Os pais devem primeiramente ter ciência que o diabetes tipo 1 não tem prevenção e não tem culpado. Não há atualmente métodos para prevenir o desenvolvimento desta situação. Portanto, nada de achar culpados.

  • Os pais têm de ter cumplicidade. Muitas vezes quando uma criança desenvolve diabetes tipo 1, os pais que não têm cumplicidade entre si frequentemente se separaram. Infelizmente as crianças podem se sentir culpadas pela situação. Juntos, os pais auxiliarão melhor a criança.

  • A informação é a melhor arma para manter o diabetes sob controle. Portanto, os pais devem estudar e buscar informação continuamente sobre a condição. Discutir com o endocrinologista as opções terapêuticas, aprender a contagem de carboidratos, atualizar-se e envolver-se.

  • Divulgar as informações aos parentes e pessoas próximas às crianças. O que vejo é que muitas vezes as avós que não entendem sobre diabetes acabam atrapalhando o controle glicêmico (seja oferecendo alimentos ricos em açúcar, superprotegendo a criança ou pulando os horários de automonitorização) por simples falta de informação, negação ou mesmo na tentativa de reduzir a problemática. Por isso, toda pessoa que tiver contato com esta criança deve entender sobre o diabetes e cooperar com o tratamento. É importante envolver toda família.

  • Conhecer outros pais com pequenos com DM1 ajuda a tirar dúvidas e tem a utilidade de apoio em momentos difíceis.
Além dessas sugestões, Dra. Bibiana explica outra dica importante, principalmente para as crianças que têm receio de agulha. “Se os pais tratarem o controle do diabetes como algo habitual, a criança aprende que as “picadas” são naturais para ela. Por isso, manter uma atitude positiva conduz a criança a uma sensação de segurança e aceitação. Às vezes, um dos pais pode se auto-aplicar a “insulina” para que a criança veja. Da mesma forma, podemos ter um boneco de pelúcia com o qual a criança brinca de aplicar insulina”.
“Se a criança está triste por causa das aplicações de insulina ou da automonitorização, tente alguma distração, como pedi-la para segurar seu brinquedo preferido. Depois do procedimento, dê um beijo ou um abraço e continue o dia de forma habitual. Outra dica é proporcionar a convivência com outras famílias que têm crianças com diabetes. É uma forma saudável de mostrar que ela não é a única a ter de utilizar agulha”, sugere Dra. Bibiana.
Cuidados com hipoglicemia e com a ida para a escola
Como as crianças não identificam os sintomas de hipoglicemia, a atenção dos pais é redobrada, como afirma Marcella: “identifico a situação quando a Gabi fica branca, chora sem motivo, fica molinha, sem força. Por isso, hoje faço teste de glicemia cinco vezes ao dia”.
Dra. Bibiana comenta o caso, “hipoglicemia nessa idade é difícil de perceber, pois as crianças não conseguem se comunicar. Porém, há alguns sinais que podem sugerir essa situação: irritabilidade, sono agitado, sonolência, olhar fixo, palidez, sudorese ou simplesmente você percebe que a criança não está se sentindo bem. É sempre importante deixar o glicosímentro ao alcance para realizar o exame. Deve-se ter em casa o kit com glucagon, hormônio que faz a ação oposta da insulina, aumentando os níveis de glicose no sangue para emergências de hipoglicemias”.
Na escola, há outros desafios, pois é necessário transmitir as informações corretas para os professores. “Minha filha entrou na escola este ano e se adaptou bem. Antes fiz uma reunião com as professoras, entreguei uma apostila que preparei sobre diabetes, ensinei a manusear o glicosímetro e o que fazer no caso de hipoglicemia. Hoje a professora cuida direitinho. Se tiver atividade física antes do lanche, peço para que fiquem de olho na minha filha e realizam o teste de glicemia. A Gabi sempre leva um kit de insulina, glucagon e biscoito. Além disso, estou sempre perto, caso haja necessidade da minha presença”, enumera Marcella.
Segundo Dra. Bibiana, “em relação aos pais, habitualmente há o temor que outros adultos não darão conta de ajudá-los no tratamento, principalmente quando a criança vai para a escola. Procure o diretor da escola e reúna-se com ele e com o professor de classe para elucidar pontos importantes, como sintomas de hipoglicemia, hiperglicemia, ida ao banheiro fora de hora e lanches necessários para seu filho. Tente manter contato constante com o professor para auxiliarem-se mutuamente”.
Por isso, Dra. Bibiana elucida mais alguns pontos. “Crianças a partir dos três anos de idade desenvolvem a necessidade de ganhar confiança e ousar a cumprir tarefas mais difíceis mesmo que nesta idade ainda falte o controle fino e desenvolvimento cognitivo necessários para se tornar autônomo no controle do diabetes. Mas é importante que nesta fase elas participem das tarefas mais simples, supervisionadas por um adulto, como colocar o sangue na tira, preparar a insulina etc. Quando começarem a contar números, podem familiarizar-se com a contagem de carboidratos. O envolvimento no tratamento é essencial nesta fase para se tornarem adolescentes e adultos independentes e seguros”.
“Sempre digo aos pais dos meus pacientes: ‘seus filhos são saudáveis’. Podem e devem viver a vida, descobrindo a felicidade de ousar e aprender. Eles poderão ter uma vida normal, fazer de tudo: casar, ter filhos, trabalhos, viagens e vivenciar experiências. Cabe aos pais ajudá-los a desenvolver auto-estima, segurança, responsabilidade e disciplina. Assim serão adultos independentes e felizes”, finaliza Dra. Bibiana.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Padrão Alimentar do Pai tem Maior Influencia na Ingesta Alimentar da Criança em Relação ao Padrão Alimentar Materno

Os pais têm um papel importante na educação alimentar de seus filhos, conforme novo estudo. Foi avaliado hábitos alimentares de 300 famílias com crianças de idade variando entre 9 a 11 anos ou 13  a 15 anos. Descobriram que quanto mais o pai comesse fast-food, maior era a ingesta destes nos filhos.
Outros fatores que influenciaram o aumento de fast-food das crianças foram: pai autoritário, pai infeliz no emprego, com menor atenção à família e tempo dispendido dentro do carro ao longo do dia.
Este estudo mostra a importância da presença consciente do pai, juntamente com uma revisão do padrão alimentar pode ajudar seu filho a evitar a obesidade.
Então este é um aviso para os papais: cuidem-se pois suas opções influenciarão a saúde de seus filhos.

http://abcnews.go.com/Health/fathers-big-influence-childrens-eating-habits-study/story?id=13535960&sms_ss=email&at_xt=4dc84381f09da46a%2C0
Tradução e Comentário: Dra Bibiana Colenci

domingo, 6 de março de 2011

A Criança e o Diabetes

A criança e o Diabetes Mellitus

Você já ouviu falar em criança com diabetes?´
É comum ouvirmos que um amigo ou parente adulto apresenta diabetes. Porém, o diabetes pode acometer crianças desde o nascimento, até a fase de adulto jovem. Neste caso estamos falando do Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). Esta é uma situação diferente do diabetes do adulto (que se chama Diabetes tipo 2), pois aparece de forma repentina e inesperada. Geralmente é desencadeado após uma gripe, e há dois picos de aparecimento: por volta dos 7 anos e no final de puberdade. Interessante notar que no outono há maior concentração de diagnóstico, talvez por haver mais episódios gripais neste momento.
No DM1 há ausência de produção de insulina pelo pâncreas e, portanto, deve ser tratado com a reposição de insulina, por via subcutânea.

Porque nunca ouvi falar?
Há pessoas que nunca ouviram falar em DM1. Isto porque a incidência de diabetes tipo 1 é bem menor que a do diabetes tipo 2. Apenas 7,5% das pessoas que tem diabetes, têm o tipo 1.

Quais os cuidados deve-se ter?
Inicialmente, os cuidados são com os pais. Eles devem ser orientados quanto à causa do Diabetes e, sobretudo, conscientizar de que não havia como prevenir seu aparecimento.
Uma vez retirado este peso dos pais, estes devem se informar profundamente em relação ao DM1, para transmitirem as informações de forma correta e segura para seus filhos. Quando os pais têm conhecimento e segurança sobre o Diabetes, a criança sente-se mais confiante e segue melhor o tratamento.
Outro cuidado é a realização da auto-monitoprização da glicemia, que é o exame do dedinho para medir a taxa de açúcar. Esta aferição é importante porque a taxa de açúcar do nosso sangue varia continuamente. Quando medimos esta taxa, entendemos o que está acontecendo, e melhoramos nosso controle. Vale lembrar que a taxa de açúcar alta ou baixa não traz sintomas até estar muito alta ou muito baixa. Assim, pequenas oscilações no açúcar que fazem mal à criança podem passar despercebidas se não fizermos este controle.  A auto-monitorização proporciona melhor controle glicêmico e evita os picos (hiperglicemia) e vales (hipoglicemia).
 Não há porque ter preconceito: o DM1 não se passa e não se pega com o amiguinho da escola.
Falando em escola, o diretor, o professor e demais profissionais que estarão perto da criança devem saber de sua condição. Eles devem ser orientados sobre o que fazer no caso da criança não se sentir bem.

Como é o tratamento?
O tratamento é feito com reposição de insulina subcutânea (para ser aplicada na gordura). Embora existam trabalhos com outras vias de administração de insulina, comercialmente apenas dispomos de insulina subcutânea. A boa noticia é que temos dispositivos mais modernos para aplicar insulina, como canetas e bombas de insulinas. As agulhas das canetas são menores e doem menos que as agulhas de seringas.
Hoje em dia sabemos que para se ter um bom controle, devemos fazer várias aplicações de insulina por dia, em pequeninas doses. Mas isso varia de criança a criança. Algumas usam 2 doses por dias, a maioria necessita de 5-6 doses. Fazemos isso para simular a liberação de insulina de uma pessoa não-diabética, onde o pâncreas libera insulina ao longo do dia, variando a dose conforme a alimentação. 

Como deve ser a alimentação?
A criança deve ser alimentar de forma mais saudável possível. Não deve ingerir alimentos que contenham açúcares (os carboidratos), como o próprio açúcar e doces. Os alimentos que viram açúcar no nosso corpo como pão, arroz, bolachas, massas também devem ser consumidos com moderação. Aliás, esta é a receita de alimentação saudável. Até quem não tem diabetes deveria segui-la, pois evita o DM2 e o ganho de peso.
Dispomos de um cálculo chamado Contagem de Carboidrato. Com este calculo podemos prever o quanto de insulina devemos aplicar para cada tipo de alimentação. O controle do diabetes torna-se mais preciso, evitando hipo ou hiperglicemia. O endocrinologista pode orientar sobre a necessidade de contagem de carboidratos.

O que é bomba de insulina?
A bomba de insulina é um dispositivo moderno para tratamento de diabetes no indivíduo usuário de insulina. Portanto, tanto crianças quanto adultos com DM2 que usam insulina podem se beneficiar deste dispositivo.
Ele tem uma cânula que é trocada a cada 3 dias. Ela envia insulina para o corpo da pessoa de forma contínua, lenta e em pequeninas doses, simulando uma situação de não-diabetes. Deste modo, o indivíduo não precisa ficar aplicando insulina com agulha ao longo do dia.
A bomba não é automática. Por isso, há necessidade dos pais, e com o tempo, a própria criança, aprenderem a manusear a bomba. Programamos a quantidade de insulina que ela enviará para seu corpo ao longo de 24 horas. Para calcular a dose das alimentações usamos a contagem de carboidrato, enviando a dose necessária para aquela refeição específica.
Portanto, antes de iniciar o uso da bomba de insulina, os pais e a criança devem saber calcular os carboidratos. Novamente, o endocrinologista avalia se a pessoa esta capacitada a usar a bomba de insulina.

A criança com Diabetes terá uma vida normal?
Completamente. Ela poderá fazer de tudo. Poderá se tornar um adulto saudável, produtivo e inserido na sociedade.
Para isso é preciso que a família, junto com o endocrinologista e a sociedade em geral entendam que esta é uma situação passível de controle, e que a criança não apresenta limitações. Ela apenas tem que seguir algumas regras como ter cuidado com a alimentação, fazer esportes, aplicar insulina e auto-monitorizar a glicemia.
Mas afinal, de uma forma ou de outra, todos nós seguimos regras, não é mesmo?


Dra Bibiana Prada de Camargo Colenci
Endocrinologia e Diabetes
Mestre em Edocrinologia
CRM 93718