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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Diabetes e Àlcool


Diabetes – o que você precisa saber - 4

Diabetes e Álcool



Quando você se  divertindo  está com seus amigos é  fácil exagerar e perder a noção de quanto está  ingerindo de álcool ou mesmo de comida. Diabéticos podem ingerir álcool , porém sem exagero, assim como deve ser para qualquer pessoa acima de 18 anos de idade.

 Alguns diabéticos devem evitar  ingerir álcool. Principalmente se tiverem neuropatia, hipertensão  ou retinopatia diabética.

O quanto posso beber ?
 O ideal  é beber o mínimo possível . Lembrar de beber dentro de um limite seguro, que é  por volta de 2 drinks para homem e 1 para mulheres ( um drink equivale a uma garrafa de cerveja ou um copo de vinho).
Lembre-se de nunca beber de estômago vazio.
Se você quiser perder peso, atente que muitas bebidas alcoólicas contém calorias. Tente ingerir menor quantidade .

Quais os riscos de abusar de álcool?
Excesso de álcool pode provocar:
1.      Elevação de açúcar numa primeira fase, pois cerveja e vinho contém grande quantidade de açúcar.
2.      Queda perigosa de açúcar por bloqueio  da produção de glicose do fígado até 12 horas após a ingesta de álcool.
3.      Piora da lesão neurológica provocada pelo diabetes.
4.     Interage com  medicamentos para diabetes, podendo provocar elevação ou queda da glicemia. 
5.      Fome em algumas pessoas, fazendo-as comer mais e elevar a glicemia.
6.      Piora da retinopatia diabética.

Quais cuidados devo ter ao ingerir álcool?
1.      Cheque sua glicemia antes de beber.
2.      Não beba de estômago vazio.
3.      Comer carboidratos durante a ingestão de álcool.
4.      Ter por perto pessoas que sabem que você é diabético e carregar identificação.
5.      Alternar bebida alcoólica com  agua gaseificada, refrigerantes diet, sucos light.
6.      Não se apresse. Desfrute da bebida. Beba devagar e preste atenção na quantidade de bebida que você ingere.
7.      Respeite as doses de álcool que você pode ingerir por dia.
8.      Cheque sua glicemia e ajuste a dose de insulina ,se necessário.
9.      Coma carboidrato antes de dormir beba muita água .

O dia seguinte
Se você abusou do álcool na noite anterior, beba muita água antes de dormir para hidratação, além de evitar ressaca. Tome um bom café da manhã, mesmo sem vontade. Isto pode (talvez possa) ajudar no controle da glicemia.
Caso não consiga ingerir alimentos sólidos, ingira muito liquido e se estiver com hipoglicemia , ingira bebidas não dietéticas (por exemplo refrigerante ou suco de laranja).
Cheque sua glicemia, pois alguns sintomas de ressaca como dores de cabeça, sensação de mal estar, sudorese  e tremores  são parecidos com os sintomas de hipoglicemia ou hiperglicemia. Caso sua glicemia esteja menor que 100mg/dl, coma algum carboidrato.
Não importa quão mal esteja se sentindo ou mesmo com muita ressaca, se você estiver com alteração da glicemia tanto hipo quanto hiperglicemia ,você deve se tratar rapidamente.

Não ignore os sintomas e beba com responsabilidade. 











Dra Bibiana Colenci

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Diabetes e Gestação


  Diabetes - o quê você precisa saber 3

Saiba como... planejar a gravidez


O desejo de ser mãe deve ser bem pensado por todas as mulheres, mas no caso das diabéticas o planejamento é fundamental em função das mudanças que precisam ser feitas no tratamento do diabetes para não prejudicar o desenvolvimento do feto.

·         O que as futuras mães precisam saber para ter uma gravidez tranqüila e segura?
        A gravidez é um período em que a mulher deve cuidar do corpo. Pois o corpo da mulher funcionará como um reservatório, um ninho onde o nenê ira crescer e se desenvolver.  
         Pensando assim, a futura mamãe deve ser preparar com pelo menos 6 meses de antecendêcia, focando em ter uma glicemia bem controlada e a hemoglobina glicada de 6 a 6,5 pré-gestação.  
         Durante a gestação o controle  pode ser mais rigoroso pois os valores de glicemia devem ser mais baixos: por volta de 90 em jejum e 120, 2 horas após comer . Por este motivo, intensificamos o exame de pontinha de dedo.

·         Existe alguma alteração no tratamento, na dose de insulina ou do medicamento?
       Sim existe.
      Em DM1 ocorre intensificação do exame de HGT e os alvos acima são estabelecidos.
      Em DM2, suspendemos a medicação oral e passamos insulina para ter um controle mais rigoroso.

·         

       Qual acessório de aplicação de insulina é mais indicado para a grávida: seringa, caneta ou bomba de insulina? Por quê? A futura gestante terá que trocar de acessório?

    
 O importante é focar na meta. Ter Hba1c  6,0, glicemia de jejum de 90 e pós prandial 120. Isso pode ser alcançado com insulina, seja na forma de aplicação de seringa, canetas ou bomba.
No entanto, vale apena ressaltar que as canetas são mais confortáveis que a seringa. A utilização de bomba fica restrita para as diabéticas que sabem utilizar a contagem de carboidrato.

·         Qual deve ser a meta de hemoglobina glicada antes de engravidar? E durante a gravidez?
       A meta é ter  Hba1c entre 6 a 6,5 ANTES da gestação e durante por volta de 6,0 . Assim o ambiente uterino fica propicio para o crescimento saudável do bebê.

·         Quais os riscos para a mãe e para o bebê se o diabetes não estiver compensado?
      Este é um ponto muito importante. Se o ambiente uterino for ruim, ou seja, descontrole glicêmico, o nenê por ter atraso no crescimento, ou crescimento excessivo prejudicando o parto, mal-formação, ou  até mesmo morte fetal. Por este motivo a mamãe e o nenê devem ser acompanhando mensalmente com o ginecologista e com o endocrinologista.

·         No caso das mulheres que estão acima do peso, quais cuidados adicionais elas precisam ter?
          Uma dieta balanceada e saudável é imprescindível para qualquer pessoa, ainda mais numa grávida. Os alimentos são os nutrientes que o nenê usara para se desenvolver. Por isso devem ser bem escolhidos.
         A mulher que está acima do peso precisa seguir uma dieta rigorosa a fim de evitar maior ganho de peso e piora do controle do diabetes com risco maior de aparecimento das complicações, como por exemplo, criança grande para idade gestacional e óbito fetal.

·         Quais médicos devem acompanhar a gestante diabética?
          A mãe diabética deve ter acompanhamento mensal com o endocrinologista e o gineco-obstretra.

·         Como deve ser a rotina de consultas com os médicos? A freqüência deve ser maior do que a das gestantes que não têm diabetes?
      Durante a  gestação da mãe com diabetes, as consultas devem ser mais frequentes até o controle glicêmico. Ao atingir o controle, ela pode seguir como uma gestante habitual.

·         O que muda em relação à alimentação?
        A alimentação já deve ser saudável, desde sempre. 
       Já nos 6 meses antes da gestação, afim de melhorar  o controle glicêmico, a dieta deve ser mais saudável ainda . 
         Evitar alimentos com conservantes e industrializados.
         Mas analisando bem, isso deveria ser sempre e não só na gestação .
      Se a gravidez for planejada, aprender a contagem de carboidratos auxilia muito neste período. 
      Junto ao endócrino e à nutricionista, aprendemos o quê podemos comer e o quanto  de certo alimento, evitando aumento desnecessário de peso e aplicando a dose correta de insulina ultrarrapida.

·         Durante a gestação, quais os cuidados para não ter hipo ou hiperglicemia?
      
Em uma frase: PONTA-DE-DEDO.
    Como queremos um ambiente propício para o crescimento do nenê, teremos que evitar altos e baixos da glicemia.  Por isso o melhor é manter  um acompanhamento com o endócrino frequentemente e sempre fazer o controle com a ponta de dedo. 
     A contagem de carboidrato bem feita auxilia no bom controle glicêmico.
   
                                                                                                             
       

         Dra Bibiana Colenci 




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Diabetes e o Estresse

Diabetes- o que você precisa saber - 2

Diabetes e estresse
  









O estresse é uma reação do seu corpo quando ele sente como se estivesse sob um ataque. Os desencadeantes do estresse podem ser físicos (lesões ou doenças) ou mentais (problemas no casamento, no trabalho, financeiros).
Quando o estresse aparece, seu corpo se prepara para atacar-ou-correr. Esta reação desencadeia a liberação de níveis elevados de diversos hormônios que servem para mobilizar uma grande quantidade de energia que está estocada na forma de açúcar e gordura e devem ir até as células para que o corpo reaja ao perigo. Porém, em diabéticos esta resposta “atacar-ou-correr” não funciona bem, pois a insulina não consegue levar esta energia extra para dentro das células. E a glicose sobe no sangue.
Desta forma, os hormônios de estresse podem alterar diretamente sua glicemia, impedindo seu corpo de produzir insulina ou mesmo utilizá-la adequadamente.
Em pessoas com diabetes, o estresse pode afetar a glicemia de duas formas:
 1.    Pessoas estressadas não conseguem se cuidar adequadamente. Podem abusar de  álcool ou fazer menos exercício. Podem se esquecer de medir sua glicemia, não conseguir ajustar seu tempo para realizar atividade física ou comer adequadamente.
    2.  Os hormônios de estresse podem alterar a glicemia diretamente: o estresse mental em DM1 pode se elevar ou diminuir muito a glicemia; em DM2 o estresse tende apenas a elevar a glicemia. Sob estresse físico, como cirurgias ou doenças, a glicemia tende a subir tanto em DM1 quanto DM2.
O estresse pode aparecer ao receber o diagnóstico de diabetes, como uma reação ao receber este diagnóstico.

Observe se você esta desenvolvendo estresse, preste atenção nestes indicadores de estresse:
1.    Aumento da freqüência cardíaca sem outra causa aparente
2.  Aumento da pressão arterial ou descontrole da mesma
3.Aumento da tensão muscular (dor muscular)
4. Elevação ou queda da glicemia sem outra causa aparente

O quê podemos fazer para combater o estresse secundário a um diagnóstico de diabetes:
1.  Listar as situações que estão fora do seu controle. Não há cura para o diabetes, ainda. O diagnóstico foi feito e não muda.
2. Aceite seu diagnóstico, suas sensações e frustrações ao ter o diabetes. Se estiver muito difícil, procure aconselhamento psicológico ou um grupo de diabéticos para suporte.
3. Reconheça o quê você pode controlar!: você tem total domínio sobre sua glicemia. Enfrente o desafio, aderindo a uma vida saudável, com alimentação adequada, contagem de carboidratos, exercício físico e tomando sua medicação e insulina corretamente.
4. É interessante notar que o estresse desencadeado por diabetes pode muita vezes ser confundido com depressão. Mas diferentemente desta, o uso de antidepressivo não melhora o quadro. O que melhora o estresse relacionado a diabetes é aceitação da situação e atividade física. Logicamente existe a possibilidade haver uma depressão junto. Se você achar que está deprimido, converse com seu endocrinologista para que ele possa te ajudar. Neste caso há indicação de uso de antidepressivos.

O quê podemos fazer para combater o estresse Mental:
1. Primeiramente cheque se sua alteração glicêmica é secundária ao estresse. Isso é fácil. Basta anotar uma escala de ) a 10 o grau do seu estresse logo antes da fazer a dextro (ponta-de–dedo). Faça isso por uns 10 dias e veja se há correlação entre seu nível de glicose com o nível de estresse.
2. Faça mudanças em sua vida: se seu trabalho te estressa, peça transferência; se o transito te estressa, mude de rota; se você está brigando com alguém querido, faça o primeiro movimento para se acertar com esta pessoa. Resolva!
3. Outras formas de diminuir o estresse são:  atividade física contínua; aulas de dança, arrumar um hobby, participar de atividades voluntárias.
4. Converse ou observe como outras pessoas lidam com estresse e veja se a solução delas serve para você.
5. Aprenda a relaxar: faça ioga, meditação. Estas atividades diminuem os hormônios relacionados ao estresse que podem alterar sua glicemia.
Um exercício simples é o da respiração: sente-se ou deita-se com braços e pernas descruzados. Respire bem fundo. Solte o máximo de ar que puder. Tente relaxar seus músculos ao soltar o ar. Repita por 5 a 20 minutos pelo menos uma vez ao dia.
6. Faça exercícios físicos.

7. Substitua pensamentos ruins por bons. Toda vez que vier um pensamento ruim, esforce-se para pensar em algo que te faça bem. Pode ser uma memória, uma prece ou mesmo uma imagem de um lugar que te traga paz.
8. Qualquer que seja o método que você escolha para relaxar pratique. Quanto mais vezes você fizer, mas rápido atingirá o nível de relaxamento.

O quê podemos fazer para combater o estresse Físico:

Algumas fontes de estresse nunca vão embora, não importa o que você faça. O fato de você ter diabetes é um deles. Ainda assim há meios de diminuir o estresse de ter que conviver com o diabetes.
1. Busque grupos de diabéticos. Há Associações de Diabéticos ou grupos na internet como Bate-Papo Diabetes no Facebook. Conhecendo pessoas com a mesma situação que você te ajudarão a se sentir menos só. Da mesma forma, conhecer como outras pessoas lidam com a diabetes pode te ajudar.
2. Pensem nos aspectos do dia-a-dia do diabetes que te estressam mais, como por exemplo, ter disciplina no horário da medicação, ter que fazer atividade física ou checar sua glicemia. Se você tiver dificuldade num destes temas, converse com alguém do seu grupo para orientação.
3. Se o peso de ter diabetes for muito para você , considere procurar ajuda profissional como psicoterapia direcionada a este tópico.

A decisão de se cuidar requer comprometimento, mas em troca você terá uma vida saudável e feliz.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pequenos gestos fazem diferença para o bem-estar dos pequenos com Diabetes Mellitus tipo1



Conforme diz Dalai-Lama no Livro da Sabedoria, “o sucesso da nossa vida e do nosso futuro depende da nossa motivação e determinação, ou confiança em nós mesmos. Através de experiências difíceis, a vida às vezes ganha maior significado. Uma pessoa que passou por experiência de privações consegue enfrentar problemas com mais firmeza do que quem nunca passou por sofrimento. Portanto, visto por esse ângulo, um pouco de sofrimento pode ser uma boa lição para a vida”.
Passar por experiências difíceis faz parte da vida de qualquer ser humano, muitas vezes geram estresse, insegurança, angústia e ansiedade. Uma dessas vivências é relatada por Marcella Fernandes, advogada e mãe da Gabriella de 4 anos, com diabetes tipo 1 desde os dois anos.
“Apesar de o irmão da Gabriella ter diabetes tipo 1, diagnosticado quando tinha nove anos, as chances de desenvolver eram de 5%, segundo os médicos. Assim mesmo, com a detecção rápida da condição, já que identificamos os sintomas, senti o meu chão cair e fomos direto para o hospital, onde minha filha ficou 10 dias internada. Lá, recebi uma enxurrada de informação e aprendi a aplicar insulina”, conta Marcella.
“No início era um verdadeiro pesadelo aplicar insulina, porque a Gabriella se debatia, chorava, gritava. Quem ouvisse da rua, pensava que estávamos batendo nela. Nesses casos, sempre pedia auxílio para mais uma pessoa para que eu pudesse aplicar. Com o tempo, aprendi a injetar a insulina e, este ano, minha filha começou a aceitar as aplicações sem se debater”, diz Marcella.
O diagnóstico de uma criança pequena com diabetes é mais difícil, pois o susto é maior. A criança não consegue se comunicar direito e os pais precisam aprender sobre diabetes e aplicação de insulina de forma bem rápida. Dra. Bibiana Prada de Camargo Colenci, endocrinologista do município de Botucatu, interior de São Paulo, relata algumas dicas aos pais:
  • Os pais devem primeiramente ter ciência que o diabetes tipo 1 não tem prevenção e não tem culpado. Não há atualmente métodos para prevenir o desenvolvimento desta situação. Portanto, nada de achar culpados.

  • Os pais têm de ter cumplicidade. Muitas vezes quando uma criança desenvolve diabetes tipo 1, os pais que não têm cumplicidade entre si frequentemente se separaram. Infelizmente as crianças podem se sentir culpadas pela situação. Juntos, os pais auxiliarão melhor a criança.

  • A informação é a melhor arma para manter o diabetes sob controle. Portanto, os pais devem estudar e buscar informação continuamente sobre a condição. Discutir com o endocrinologista as opções terapêuticas, aprender a contagem de carboidratos, atualizar-se e envolver-se.

  • Divulgar as informações aos parentes e pessoas próximas às crianças. O que vejo é que muitas vezes as avós que não entendem sobre diabetes acabam atrapalhando o controle glicêmico (seja oferecendo alimentos ricos em açúcar, superprotegendo a criança ou pulando os horários de automonitorização) por simples falta de informação, negação ou mesmo na tentativa de reduzir a problemática. Por isso, toda pessoa que tiver contato com esta criança deve entender sobre o diabetes e cooperar com o tratamento. É importante envolver toda família.

  • Conhecer outros pais com pequenos com DM1 ajuda a tirar dúvidas e tem a utilidade de apoio em momentos difíceis.
Além dessas sugestões, Dra. Bibiana explica outra dica importante, principalmente para as crianças que têm receio de agulha. “Se os pais tratarem o controle do diabetes como algo habitual, a criança aprende que as “picadas” são naturais para ela. Por isso, manter uma atitude positiva conduz a criança a uma sensação de segurança e aceitação. Às vezes, um dos pais pode se auto-aplicar a “insulina” para que a criança veja. Da mesma forma, podemos ter um boneco de pelúcia com o qual a criança brinca de aplicar insulina”.
“Se a criança está triste por causa das aplicações de insulina ou da automonitorização, tente alguma distração, como pedi-la para segurar seu brinquedo preferido. Depois do procedimento, dê um beijo ou um abraço e continue o dia de forma habitual. Outra dica é proporcionar a convivência com outras famílias que têm crianças com diabetes. É uma forma saudável de mostrar que ela não é a única a ter de utilizar agulha”, sugere Dra. Bibiana.
Cuidados com hipoglicemia e com a ida para a escola
Como as crianças não identificam os sintomas de hipoglicemia, a atenção dos pais é redobrada, como afirma Marcella: “identifico a situação quando a Gabi fica branca, chora sem motivo, fica molinha, sem força. Por isso, hoje faço teste de glicemia cinco vezes ao dia”.
Dra. Bibiana comenta o caso, “hipoglicemia nessa idade é difícil de perceber, pois as crianças não conseguem se comunicar. Porém, há alguns sinais que podem sugerir essa situação: irritabilidade, sono agitado, sonolência, olhar fixo, palidez, sudorese ou simplesmente você percebe que a criança não está se sentindo bem. É sempre importante deixar o glicosímentro ao alcance para realizar o exame. Deve-se ter em casa o kit com glucagon, hormônio que faz a ação oposta da insulina, aumentando os níveis de glicose no sangue para emergências de hipoglicemias”.
Na escola, há outros desafios, pois é necessário transmitir as informações corretas para os professores. “Minha filha entrou na escola este ano e se adaptou bem. Antes fiz uma reunião com as professoras, entreguei uma apostila que preparei sobre diabetes, ensinei a manusear o glicosímetro e o que fazer no caso de hipoglicemia. Hoje a professora cuida direitinho. Se tiver atividade física antes do lanche, peço para que fiquem de olho na minha filha e realizam o teste de glicemia. A Gabi sempre leva um kit de insulina, glucagon e biscoito. Além disso, estou sempre perto, caso haja necessidade da minha presença”, enumera Marcella.
Segundo Dra. Bibiana, “em relação aos pais, habitualmente há o temor que outros adultos não darão conta de ajudá-los no tratamento, principalmente quando a criança vai para a escola. Procure o diretor da escola e reúna-se com ele e com o professor de classe para elucidar pontos importantes, como sintomas de hipoglicemia, hiperglicemia, ida ao banheiro fora de hora e lanches necessários para seu filho. Tente manter contato constante com o professor para auxiliarem-se mutuamente”.
Por isso, Dra. Bibiana elucida mais alguns pontos. “Crianças a partir dos três anos de idade desenvolvem a necessidade de ganhar confiança e ousar a cumprir tarefas mais difíceis mesmo que nesta idade ainda falte o controle fino e desenvolvimento cognitivo necessários para se tornar autônomo no controle do diabetes. Mas é importante que nesta fase elas participem das tarefas mais simples, supervisionadas por um adulto, como colocar o sangue na tira, preparar a insulina etc. Quando começarem a contar números, podem familiarizar-se com a contagem de carboidratos. O envolvimento no tratamento é essencial nesta fase para se tornarem adolescentes e adultos independentes e seguros”.
“Sempre digo aos pais dos meus pacientes: ‘seus filhos são saudáveis’. Podem e devem viver a vida, descobrindo a felicidade de ousar e aprender. Eles poderão ter uma vida normal, fazer de tudo: casar, ter filhos, trabalhos, viagens e vivenciar experiências. Cabe aos pais ajudá-los a desenvolver auto-estima, segurança, responsabilidade e disciplina. Assim serão adultos independentes e felizes”, finaliza Dra. Bibiana.